sábado, 5 de janeiro de 2013

Entre Jenson e Natassja Tinha um Muro! Berliner Mauer!







Não sei como Jenson conheceu Natassja.

Ele não me disse!

Sei que por meio ano passou o tempo em telefonemas e a novidade dos e-mails
cheios de esperança e paixão.

Nada de MSN, banda larga ou Skype.

Nada disso existia!

Havia o muro de Berlim entre eles!

Natassja comprava vinhos franceses para a cúpula do governo comunista.

Jenson vendia as melhores safras, das melhores regiões para quem tivesse
condições de pagar verdadeiras fortunas por uma garrafa.

A frequência com que Natassja comprava os vinhos e a gentileza de Jenson ao
telefone criou vínculo.

Paixão!

Os dois se conheciam por fotos.

Ela enviava fotos maravilhosas.

Cabelos negros, olhos castanhos, corpo exuberante.

Jenson era 15 anos mais velho, alma jovem, corpo jovem, disposição.

A idade não transformava Jenson num amante experiente.

Entre uma compra de Château Petrus e outra de Haut Brion, nasceu uma paixão
avassaladora.

Jenson não soube se conter.

De Natassja sei pouco, não sei como lidou com isso!

Sei que a garrafa diária de Jenson era acompanhada de lamentações e um sonho: Ver
Natassja. Tocar Natassja.

6 meses depois a situação estava insuportável.

Como pode uma paixão a distância?

Como pode uma coisa dessas?

Um dia Jenson esperou Natassja, mas ela não veio.

O sofrimento foi vencido a base de taças de vinho e lágrimas.

Até hoje Jenson não viu Natassja.

Numa noite de outono, num café parisiense, Jenson admitiu que não esqueceu a
alemãzinha.

Com a queda do muro de Berlim, em Novembro de 89, Natassja sumiu.

Certamente conheceu outras caras, outra vida.

Jenson ainda fala na paixão alemã. Sempre que vende uma garrafa de Petrus pensa
nela.

Um dia quem sabe se encontram. O mundo é grande, mas o mundo do vinho não é tão
grande assim...

Platão, o filósofo grego da antiguidade, entenderia bem essa história. Para ele
o Amor era algo essencialmente puro e desprovido de paixões. Para ele as
paixões são cegas, materiais, efêmeras e falsas. O Amor, no ideal platônico,
não se fundamenta num interesse (mesmo o sexual), mas na Virtude.

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